Associação Latino-Americana para Estudo do Fígado alerta para a inclusão de portadores de doenças hepáticas no grupo de risco para a covid-19

A Pesquisa cientifica contou com a participação do Hospital Aliança e chama a atenção também para as complicações do fígado associadas ao uso inadvertido de Ivermectina, Nitazoxanida, Azitromicina e Cloroquina.

O número crescente de pacientes diagnosticados com covid-19 apresentando alterações hepáticas chamou a atenção de pesquisadores Europeus e Latino-Americanos, motivando também a realização de um estudo mais minucioso envolvendo vinte centros médicos da América Latina, incluindo o Hospital Aliança, de Salvador (BA). Durante 30 dias, pacientes acima de 18 anos foram monitorados e os resultados da pesquisa apontam que cerca de 40% dos pacientes que buscaram atendimento hospitalar têm alterações das enzimas hepáticas, o que sugere algum grau de sofrimento do fígado.

“Pacientes que já tinham doença hepática tiveram uma evolução mais desfavorável, com maior risco de complicações respiratórias e maior mortalidade, comparado aos pacientes que não tinham doença hepática. Os pacientes que apresentaram elevação persistente das enzimas do fígado também tiveram um desfecho pior, comparado aos pacientes que não apresentavam doença do fígado”, explica o médico Gastro-Hepatologista, Dr. Raymundo Paraná, diretor do Hospital Aliança, que integrou o grupo dessa pesquisa e presidiu a Associação Latino-Americana para Estudo do Fígado até outubro de 2020.

Ainda de acordo com o especialista, essa pesquisa corroborou com os estudos europeus que incluem agora as doenças hepáticas crônicas, não só a esteatose hepática associada a diabetes, mas todas as outras doenças hepáticas, no rol dos fatores de risco para evolução desfavorável da COVID-19”. Na maioria das vezes, as alterações hepáticas são só laboratoriais sem maior expressão clínica, mas em alguns casos a evolução de doença hepática pode ser grave, porém, não se sabe ainda o motivo.

Além de avaliar a existência ou não de doença hepática prévia e as alterações laboratoriais do fígado durante a hospitalização, os pesquisadores avaliaram o histórico do uso inadvertido de medicamentos antes da hospitalização. “Com as fake news sobre o tratamento da covid-19, muitos pacientes chegam ao hospital utilizando medicamentos como Ivermectina, Nitazoxanida, Azitromicina e Cloroquina, que não tem nenhuma comprovação cientifica na prevenção ou no tratamento precoce, mas que são popularmente utilizados e até mesmo equivocadamente prescritos por médicos” alerta o gastro-hepatologista, acrescentando que “esses medicamentos não têm nenhuma comprovação cientifica contra a covid, mas têm comprovação cientifica em relação ao risco em agressão hepática e outras interações medicamentosas que podem levar agressão ao fígado”.

O estudo sobre o risco de complicações decorrentes da covid-19 em pacientes portadores de doenças hepáticas é o primeiro da América Latina e foi apresentado pela Associação Latino-Americana para Estudo do Fígado em novembro/2020, no Congresso da Associação Americana para Estudo do Fígado, e publicado na conceituada revista médica internacional Annals of Hepatology em dezembro do mesmo ano.

A Covid-19 é uma doença que já atingiu mais de 8 milhões de brasileiros e levou a morte mais de 200 mil deles. Embora seja uma doença de polo benigno em 90% dos pacientes infectados, em 10% deles existem complicações com potencial de gravidade.  Dentre as complicações, as alterações respiratórias são as que mais levam o paciente ao óbito, todavia existem outras como trombose, insuficiência renal, arritmias cardíacas, que são complicações serias e também ameaçam a vida do paciente. Existem fatores de risco bem identificados que estão associados a maior risco de evolução grave, destacando-se dentre eles: idade acima de 60 anos, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doença pulmonar crônica e doença renal crônica.

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